A Federação PT-PSOL e a luta estudantil: unidos somos quem tira o sono do andar de cima!

O movimento estudantil brasileiro sempre foi um dos pilares históricos da luta democrática e popular no país. Foram nas escolas e nas universidades que se formaram gerações comprometidas com a transformação social, com a defesa da educação pública e com o debate e democratização do acesso à educação.

Para o Partido dos Trabalhadores, a atuação no movimento social estudantil não representa apenas uma plataforma de mobilização permanente da juventude, mas também um movimento social estratégico para a construção de um projeto nacional democrático e de massas, abrindo o horizonte socialista no Brasil.

E é nesse contexto, de quem está olhando para o futuro com os pés no presente, que deve se dar o debate sobre a possível federação entre PT e PSOL. Mesmo que a partir de necessidades políticas atuais, que representam uma conjuntura única e em certa medida pragmática, a Federação unificada da esquerda pode representar um novo estágio para a coesão da luta social no Brasil. Do ponto de vista histórico, a construção de uma frente ampla em que a esquerda esteja bem posicionada e unida é uma necessidade diante da força que a extrema-direita ainda demonstra em nossa sociedade.

Para nós da militância petista dentro das universidades e na pauta da educação, essa unidade  não seria apenas uma simples fusão burocrática de forças ou até uma perda de identidade de nossas organizações, mas como um instrumento para potencializar as lutas que já nos são comuns e enfrentar os ataques covardes que a universidade e a ciência continuam sofrendo por parte da extrema direita. O PT na base do movimento estudantil também enxerga no PSOL um aliado fundamental que sempre compartilhou de pautas históricas, como a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, o combate às privatizações e o enfrentamento ao avanço do conservadorismo radical e que, cada vez mais, encontra também unidade concreta nos espaços estudantis.

Podemos citar inclusive exemplos bem sucedidos e concretos dessa unidade, como a luta conjunta contra o programa “Future-se” em 2019, apresentado pelo governo anterior, que visava precarizar ainda mais as universidades federais e abrir caminhos para a sua privatização. Naquele momento, caminhamos juntos nos centros acadêmicos, nos diretórios centrais dos estudantes e na UNE, construindo a luta coletivamente e denunciando os riscos desse projeto. Também é possível apontar momentos mais recentes, como a luta contra os cortes orçamentários na CAPES e no CNPQ, que inviabilizaram bolsas de pesquisa e o desenvolvimento científico do nosso país, também unificaram a militância nas universidades.  

Precisamos ser lúcidos e entender que a federação não significa um apagamento de características históricas dos partidos, mas a potencialidade em uma convivência mais orgânica. Nós reconhecemos que podem existir divergências pontuais com o PSOL, seja em algumas pautas cotidianas ou em visões sobre alianças eleitorais mais amplas. No entanto, a nossa aposta é no diálogo permanente  dentro de um mesmo fórum estratégico para superar essas questões e dar mais unidade às nossas lutas: a defesa da democracia, dos direitos sociais e de um projeto popular para o Brasil. 

A federação não é um fim em si mesma, mas uma ferramenta para juntos puxarmos mais à esquerda a correlação de forças de nossa sociedade e até mesmo a frente ampla conduzida por Lula e Alckmin. No contexto do movimento estudantil, isso significa unir as novas gerações em torno de um projeto democrático e popular, capaz de dialogar com os anseios da juventude e o papel que a educação pode ter para a classe trabalhadora brasileira.
 

É um reconhecimento de que, para derrotar o projeto autoritário e neoliberal que ronda o Brasil, é preciso somar forças, unir os diferentes pensamentos da esquerda e construir, nas escolas e universidades, a consciência crítica necessária para os próximos desafios. Afinal, toda política é local. E se estivermos unidos na base de nossa militância, teremos um futuro popular e democrático para o Brasil. 

Nesse encontro entre a necessidade política pontual e a tradição de luta do movimento estudantil, conclamamos os estudantes petistas a fazerem este debate nas escolas e universidades com nossos colegas e companheiros da militância combativa do PSOL. 

O futuro nos pertence, pois juntos somos o quem tira o sono do andar de cima!

Poeta Rebelião – Vice-Presidente da UEE-SP

Victor Amaral – Diretor de Acesso a Universidade da UNE

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